Destaques:

Ti-Jú: O grito do Silêncio

Hamilton - As pernas ainda estão firmes, exclamava Tchizé à sua maneira, após a exposição pornográfica e gratuita que o Ti-Jú nos proporcionou durante as curtas-metragens que destronaram o super-mandingo Baltazar.

Ti-Jú tentou recorrer à AI

Engraçado… jamais pensei escrever política e pornografia juntas numa crónica social. O exercício limita-me, porque me faz caminhar na fronteira entre o ético e o grotesco, entre o vulgarismo e o moralismo, como se o próprio tema estivesse em dívida com a moral e a ética.


Até aqui, tudo bem.


E, uma vez mais, um grito soa mais alto. Tão alto que já ninguém finge não ouvir: o silêncio…


A minha geração mpelista, na sua maioria, herdou a militância dos nossos pais. Uns, como eu, assumiram a herança; outros negaram-na na simples dialética da vida, que nem sequer requer rigor científico para se justificar. Porque, na política, a maioria decide com o coração, já que pensamento independente continua a ser síndrome de revú, filosofias da nova república lá na terra dos ngolas.


Quando JLo chegou ao poder, vinha como outsider. Alguém disposto a xinguilar toda a maldição que Jonas Savimbi, antes da morte, atirara a Zé-Dú:

— “Eles vão-se matar.”


Senti que começava uma nova república. Um tempo em que a ética e a moral governariam; em que os três poderes seriam verdadeiramente independentes através duma revisão constitucional com responsabilidades colectivas; onde ninguém seria tão pobre ao ponto de não ser protegido pela justiça, nem tão rico ao ponto de escapar dela.

Sem esquecer as autarquias.
Era JLo no vértice do seu prefácio.


Era o tempo da primazia dos “Jotas” que eu apoiava: João Lourenço, Justin Trudeau e Joe Biden, enquanto o outro, que já fora meu herói, caía em nome da mudança, da esperança e da unidade nacional. A mesma bandeira que carregara com êxitos, mas ensanguentada pela corrupção crónica.


Assim caía José Eduardo dos Santos com o seu fenómeno “becefológico” angolano.


Comandante Panda pedia demissão no apogeu dos valores éticos, após um acidente de viação álcool-nudista em plena via. As caravanas presidenciais transformavam-se em escoltas. Nascia o exonerador implacável.
Os revús respiravam.
E o povo finalmente gritava:
— “Man-João tá sair bem…”


Os Dos Santos gritavam de Barcelona, anunciando o último suspiro de Zé-Dú, com família e herdeiros divididos, enquanto o Estado resgatava o defunto sob o olhar silencioso da viúva oficial. Porque JES não brincava em serviço, tinha sempre mais um funji.


Tal como Reginaldo Silva prognosticara:
— “JES também já teve 90% de apoio nacional.”
Para dar mais corpo à profecia cumprida, Man-João entrou em queda, sucumbindo ao mesmo sistema que, noutros dias, fora instrumento de manutenção do poder e que hoje se transformou num verdadeiro software de perpetuação do poder.


A ética fumou uma bula.


E contra todas as apostas, JLo passou de árbitro a jogador num terceiro mandato não assumido, enviando a moral para o outro lado da vigia mais alta da nau, quando, na própria sede do partido, toda a sede mandinga se transformou em Ti-Jú das Colocas.


Papéis de despacho acumulados, cadeirão preto e símbolos da república adornavam o espectáculo onde a socialite machista mwangolê gritava:
— “Condenamos a exposição, mas não condenamos o kuno… afinal, quem não pera?”


Na tentativa de salvar o escândalo titânico, em última manobra diabólica, o time do Ti-Jú ainda tentou recorrer à AI.
Mas nem essa lhe safou.
Dizem que a AI não mete cuspe.


“Essa língua do povo!”


Não sei se é praga ou karma de mandatário, porque na nossa África não há morte sem culpado, mas, nesta altura, Rui Falcão deve estar a agradecer aos anjos, enquanto amaldiçoa os mimos do Namibe. Coisas que nem eu sei porquê… e que ninguém ousa perguntar-me, embora todos saibam.


Quanto a mim, continuo gritando em silêncio… sem mencionar o nome que todos sabem.

Contactos

Rua 2, Avenida Brazil, Luanda

+244 923 445 566

pontodeinformacao@pontodeinformacao.com

Siga-nos

© Todos os direitos reservados.