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QUANDO A DESORGANIZAÇÃO INSTITUCIONAL CONDENA OS SONHOS DA JUVENTUDE DO ISP CUITO-KALUAPANDA

Recebi esta denúncia com um peso enorme na consciência e no coração. Não é apenas mais uma reclamação estudantil, é o retrato real de jovens que fizeram tudo o que lhes foi exigido e, ainda assim, continuam presos a um sistema que não responde. O título acima não é exagero, ele descreve exatamente o que está a acontecer quando a desorganização institucional passa a ter poder sobre o tempo, os sonhos e o futuro da juventude.

 

Como jovem angolano, sinto que esta situação não diz respeito apenas aos finalistas do Instituto Superior Politécnico do Cuito-Kaluapanda, toca todos nós que acreditamos que a educação é o caminho mais digno para mudar de vida e servir o país. Quando estudantes ingressam numa instituição em 2020, enfrentam dificuldades financeiras, familiares e académicas, concluem o seu percurso em julho de 2025 com esforço e dedicação, o mínimo que merece é respeito, clareza e responsabilidade institucional.

 

É angustiante constatar que, até à data, não exista nenhuma informação oficial sobre a saída definitiva nem sobre a defesa dos trabalhos finais. A ausência de comunicação não é um detalhe administrativo, é uma falha grave que paralisa vidas. O tempo passa, as oportunidades desaparecem e os estudantes continuam à espera, pagando um preço que não lhes pertence.

Finalistas de Enfermagem, Análises Clínicas e Educação, áreas fundamentais para o desenvolvimento humano e social, encontram-se impedidos de trabalhar por não terem certificados que deveriam existir. Perdem concursos de emprego, não concorrem a bolsas de estudo e veem a sua vida profissional travada por razões que não controlam. Como não sentir revolta diante desta realidade.

 

É necessário fazer perguntas que não podem continuar sem resposta. Onde está a responsabilidade académica. Quem responde pelos atrasos. Por que razão não há uma comunicação transparente com os estudantes. Até quando a desorganização e a negligência irão comprometer o futuro de jovens que cumpriram todas as suas obrigações.

 

Esta realidade não pode ser tratada como favor ou paciência infinita. Trata-se de um direito adquirido. Quando uma instituição falha repetidamente, o silêncio transforma-se em injustiça. Um país que afirma apostar na juventude não pode permitir que a falta de organização destrua sonhos e desmotive quem acreditou na educação.

 

Por isso, apelo às autoridades locais, à direção da instituição e ao Ministério do Ensino Superior para que se pronunciem com seriedade, apresentem um calendário concreto e resolvam, com urgência e humanidade, a situação destes finalistas. O que está em causa não são apenas diplomas, é a dignidade de jovens que querem trabalhar, viver do próprio esforço e contribuir para Angola.

 

Que esta denúncia não seja ignorada. Quando o futuro de jovens é bloqueado, o futuro do país também fica em suspenso.

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