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O SILÊNCIO DO COMITÉ CENTRAL - Rui Kandove

Mário Durão, um jovem militante do MPLA, voltou a captar a minha atenção. Tal como no primeiro escrito referenciando o jovem, desta vez, voltei a cruzar, casualmente, com um vídeo publicado numa das páginas no Facebook. No vídeo, o jovem levantou uma questão que merece reflexão: como é que um jovem de 25 anos, que, em princípio, deveria estar na JMPLA e sem nunca ter sido primeiro-secretário municipal ou provincial, chega ao Comité Central do partido?

 

Durão foi mais longe e questionou por que razão, nas manifestações voluntárias de apoio ao Presidente João Lourenço, quase não se vê a presença desses membros do Comité Central. É uma pergunta incómoda, mas pertinente.

O jovem militante apresenta-se como um empresário “mirin” que não corre atrás de cargos, afirmando apenas que considera importante apoiar as políticas do Presidente João Lourenço. Posso não concordar com tudo o que diz. Desde logo, tenho reservas quanto à afirmação de que não tem interesse em ocupar cargos partidários. Não me parece uma declaração inteiramente convincente e, de certo modo, considero-a injusta para quem faz intervenção política de forma tão ativa e consistente.

 

Ainda assim, creio que Mário Durão tem razão num ponto essencial. Se o Comité Central é composto por cerca de 600 membros, como se explica que tão poucos se mobilizem publicamente para defender o líder do partido e as suas políticas? Se essa estrutura existe para orientar, mobilizar e sustentar a ação política do MPLA, a sua reduzida presença no espaço público levanta interrogações legítimas.

 

Talvez isso seja um sintoma de que algo não está a funcionar como deveria no interior da organização.

 

Importa, contudo, sublinhar outro aspeto: não há qualquer problema em que existam membros do Comité Central que apoiem outro candidato. Isso faz parte da dinâmica e da pluralidade próprias de qualquer organização política. A verdadeira questão não é a existência de diferenças, mas a forma como elas são geridas no seio da estrutura.

 

Além disso, mais de 19 mil assinaturas não se recolhem na calada da noite. Um movimento dessa dimensão revela organização, capacidade de mobilização e uma base de apoio que não pode ser ignorada. Independentemente da posição que cada um assuma, os factos recomendam uma leitura política séria e não uma reação meramente emocional.

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