Morreu aos 92 anos Mário Filipe Cardoso, posteriormente conhecido como Losembe Batwanyele, político, diplomata e antigo senador da República Democrática do Congo (RDC), cuja carreira esteve ligada aos primeiros anos da independência congolesa e a diferentes fases da vida política do país.
Nascido em 29 de Setembro de 1933, em Kisangani, então Stanleyville, Mário Cardoso era filho de pai português e mãe congolesa. Formou-se em Ciências Pedagógicas e Psicológicas pela Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica, tendo posteriormente iniciado uma carreira académica e política.
Em 1960, participou na Mesa-Redonda Belgo-Congolesa, realizada em Bruxelas, que preparou o processo de independência do Congo Belga. No mesmo período, participou na Conferência Panafricana de Tunes, onde conheceu Viriato da Cruz, dirigente e antigo secretário-geral do MPLA, segundo documentação da Associação Tchiweka de Documentação.
Na sequência da crise política congolesa de 1960, Mário Cardoso integrou o Colégio dos Comissários-Gerais, constituído após o afastamento de Patrice Lumumba. Aos 26 anos, assumiu o cargo de Comissário-Geral da Educação e Culto. Posteriormente, exerceu funções ligadas aos Negócios Estrangeiros.
A sua actividade política coincidiu também com o período de apoio congolês aos movimentos nacionalistas angolanos. Documentação histórica regista a sua ligação a dirigentes da luta anticolonial angolana, incluindo Holden Roberto. É igualmente referido pela Associação Tchiweka de Documentação no contexto da transferência do MPLA de Conacri para Léopoldville, em 1961.
Na década de 1960, Cardoso desenvolveu uma carreira diplomática, tendo representado o Congo junto das Nações Unidas e exercido funções diplomáticas em diferentes países. Mais tarde, ocupou os cargos de ministro da Educação Nacional e de ministro dos Negócios Estrangeiros.
Em 1972, no âmbito da política de “autenticidade” promovida pelo regime de Mobutu Sese Seko, adoptou o nome africano de Losembe Batwanyele. Posteriormente, viveu durante alguns anos no exílio, incluindo na Suíça, antes de regressar ao então Zaire e desenvolver actividades no sector privado.
A sua carreira política foi retomada décadas mais tarde. Em 2007, foi eleito senador e tornou-se segundo vice-presidente do Senado da República Democrática do Congo.
Losembe Batwanyele morreu em Kinshasa aos 92 anos, deixando um percurso político e diplomático iniciado no período da independência do Congo e prolongado por mais de seis décadas.
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