São poucas as pessoas que sabem porque às informações ainda se mantém classificadas como segredo de estado. Mas nos meandros do ano 1990, o presidente de um dos países, mas poderoso do mundo, viveu uma situação de chantagem concorrida com tentativa de extorsão que correu nos termos de investigação criminal baseado num inquérito onde foi possível apurar vários crimes, entre os quais de burla, associações criminosas, e tantos outros. Os prejuízos estiveram acima do montante de trezentos milhões de dólares. Entre as diversas provas testemunhais, exames laboratoriais e exames de perícia contabilística, buscas domiciliárias e não domiciliárias, vigilâncias e seguimentos, foi possível recolher fortes e fundados indícios da constituição de uma organização criminosa, constituída por uma dezena de indivíduos de várias nacionalidades que delinearam o plano criminoso, com o fito primário de ludibriar várias empresas e instituições.
A estrutura organizacional revelou-se bem montada e era evidente o conluio de todos os intervenientes, assim como definidos os canais de dissipação do produto das burlas, tendo sido identificados mais de uma dezena de receptadores das acções fraudulentas.
Aproveitando o facto de algumas empresas terem ligações com familiares de alguns servidores públicos, a organização levou a cabo o projecto criminoso, recorrendo a artifícios fraudulentos, locupletando-se da chantagem com base na elaboração de falsas informações, lesando várias empresas privadas e instituições públicas.
Entretanto, o golpe principal não estava focado apenas na obtenção de ganhos financeiros. O acúmulo de informações constituia o processo de evidências que viria a ser usado como meio de chantagem contra o presidente daquele país.
Deste modo, os criminosos conceberam um plano com o intuito de se aproveitarem da posição de cercos políticos publicamente expostos, para serem chantageados e possivelmente cederem, pondo os seus cargos a disposição perante o risco de serem vítimas de escândalos públicos através da disseminação de falsas informações.
O plano passava ainda pela utilização de outros recursos pessoais, obtidos através de ligações familiares com a infiltração no seio familiar, através da celebração de casamentos, o que facilitou o acesso a certas informações restritas do seio familiar.
Todas as diligências de recolha de provas realizadas pela investigação criminal, levaram à acusação de 22 arguidos pelos crimes de burla agravada, associação criminosa, falsificação de documentos, cometidos em trato sucessivo, recetação dolosa, insolvência dolosa e o mais grave, tentativa de golpe estado.
Pouca gente sabe, no entanto, os atos criminosos pretendidos ou calculados para provocar um estado de terror no público em geral, em um grupo de pessoas ou em indivíduos para fins políticos injustificáveis em qualquer circunstância, independentemente das considerações de ordem política, filosófica, ideológica, racial, étnica, religiosa ou de qualquer outra natureza que possam ser invocadas para o jogo político, muitas vezes têm como protagonistas os terroristas políticos que fazem recurso a tudo para tentar alcançar o poder.
O terrorismo político pode ser brevemente definido como intimidação coercitiva. É o uso sistemático de assassínio de carácter e a destruição, o recurso à ameaça, a fim de aterrorizar indivíduos, grupos, comunidades ou governos para conceder a demandas políticas dos terroristas. É uma das mais antigas técnicas de guerra psicológica.
Todavia, existem situações sociais que não permitem respostas únicas ou conclusões definitivas. Muito ao contrário, exigem a análise constante das suas motivações e das suas consequências políticas, económicas e culturais, sendo que, entre estas situações, encontra-se o vigente ambiente de terrorismo político que alguns políticos angolanos tem sido alvo.
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