O antigo chefe dos Serviços de Inteligência e Segurança Militar (SISM), general António José Maria, decidiu pôr fim aos ataques públicos que vinha dirigindo contra o atual líder do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE), general Fernando Miala. A trégua surge após uma intervenção atribuída ao ex-diretor do Gabinete de Acção Psicológica, Aldemiro Torres Vaz da Conceição, que terá convencido Zé Maria a moderar a sua postura.
A tensão entre os dois generais remonta a 2017, quando o Presidente João Lourenço afastou Zé Maria da chefia do SISM e nomeou o general João Massano para o cargo. Nesse contexto, Lourenço ordenou que Fernando Miala, recém-nomeado chefe do SINSE, transmitisse a Zé Maria a obrigação de devolver documentos militares classificados, incluindo arquivos sobre a histórica Batalha do Cuito Cuanavale. Num encontro realizado no restaurante Jango Veleiro, em Luanda, Zé Maria recusou-se a entregar os documentos, alegando que pertenciam ao ex-presidente José Eduardo dos Santos e não ao Estado angolano. Nessa ocasião, terá afirmado de forma categórica que “Miala não é meu chefe e nunca será”, exigindo ainda um título executivo assinado pelo Presidente para cumprir a ordem.
A recusa originou um processo judicial por insubordinação e extravio de documentos, culminando em 2019 com a sua condenação a três anos de prisão, mais tarde reduzida para dois anos em regime domiciliário. Após a libertação, Zé Maria intensificou os ataques públicos contra Miala, acusando-o de perseguição e de falta de legitimidade. O episódio expôs rivalidades profundas nas Forças Armadas e simbolizou a transição de poder entre o círculo de José Eduardo dos Santos e o novo alinhamento político de João Lourenço.
O histórico de animosidade entre ambos, porém, é mais antigo: em 2006, Miala foi detido sob acusações de insubordinação, num processo em que Zé Maria é apontado como um dos principais arquitectos. Desde então, a relação institucional entre os dois ficou marcada por desconfiança e hostilidade, agravada pelo facto de Zé Maria ter dificuldades em aceitar Miala como novo chefe das secretas. Nos últimos anos, o antigo dirigente militar chegou a divulgar vídeos com ataques e afrontas contra Miala. Foi neste contexto que Aldemiro da Conceição interveio, apelando à contenção de Zé Maria, que acabou por aceitar cessar as hostilidades, abrindo espaço para uma possível pacificação no seio da elite militar angolana.
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