Por Redação Repórter Angola | 21 de Dezembro de 2025
A morte súbita de Fernando da Piedade Dias dos Santos, o “Nandó”, ocorrida na quinta-feira, 18 de Dezembro, mergulhou a política angolana num clima de profunda desconfiança. O antigo Presidente da Assembleia Nacional faleceu dias antes do que seria o anúncio oficial da sua candidatura à liderança do MPLA para o congresso de 2026.
Segundo revelações feitas pelo jornalista José Gama, Nandó estava sob forte pressão de sectores internos do partido para emergir como alternativa à actual liderança. No dia 16 de Dezembro, dois dias antes do óbito, o político reuniu-se com a sua equipa de apoio para finalizar os detalhes do lançamento da sua pré-candidatura, previsto para segunda-feira, 22 de Dezembro.
Horas antes de falecer, Nandó teria manifestado a intenção de comunicar pessoalmente a sua decisão ao Presidente da República. A forma repentina da morte e o “rigoroso secretismo” imposto pela clínica e pelos bastidores do partido levantaram suspeitas imediatas no seio da família e de analistas políticos.
Investigações e fontes locais apontam o General Fernando Garcia Miala, director-geral do SINSE, como a figura central numa alegada estratégia de “limpeza de caminho”. Miala é descrito por opositores e analistas como o “cérebro” da manutenção do poder, utilizando o serviço de inteligência para monitorar e, alegadamente, neutralizar vozes dissidentes que possam embaraçar o próximo Congresso do regime.
O currículo de Garcia Miala é frequentemente associado a métodos intrusivos:
Se por um lado figuras do Estado lamentam a perda, nas redes sociais a reacção de parte da população foi de desdém e celebração. Para muitos, a morte de Nandó é vista como o fim de um ciclo de impunidade.
Recordam-se os episódios em que Nandó exerceu funções no Ministério do Interior e na Polícia Nacional (até 1999), sendo-lhe imputada responsabilidade em:
O activista Luther King Campos, da UNITA, resumiu o sentimento de uma parte da sociedade: “A vossa morte não nos dói. Não é Angola que está em luto, é o MPLA”. No Brasil, o activista Hitler Samussuku reforçou as críticas, classificando o malogrado como uma figura “desnecessária” que não deixará saudades ao país.
A morte de Fernando da Piedade Dias dos Santos não é apenas uma perda biológica, mas um evento que agrava as fissuras num MPLA já desgastado por lutas de sucessão. A falta de transparência sobre as causas do óbito alimenta a narrativa de que o regime está disposto a tudo para garantir a continuidade da actual liderança, eliminando qualquer sombra das “velhas guardas”, como Higino Carneiro ou António Ventura.
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