Destaques:

Filha de Kundi Pahiama que fugiu da Justiça há 6 anos quer ser deputada

Seis anos depois de a Justiça angolana perder o rastro da empresária Elizabeth do Rosário Paihama, conhecida como "Zaida”, o processo continua sem esclarecimentos conclusivos sobre uma dívida de 300 milhões de kwanzas contraída no extinto Banco Angolano de Negócios e Comércio (BANC). O caso, que envolve o desaparecimento da arguida e indícios de irregularidades financeiras, segue marcado pela falta de respostas das autoridades.

 

Zaida Paihama é filha do falecido general Kundi Pahiama, apontado como principal acionista do BANC, com 80,27% das ações. Em diferentes momentos, chegou a ser anunciada como administradora executiva do banco, embora, segundo documentos e relatos reunidos por fontes ligadas ao sector, a sua atuação ocorresse de forma informal.

O empréstimo em questão teria sido contraído sem garantias, e, de acordo com relatórios consultados, os valores teriam sido utilizados para aquisição de bens. Entre as alegações, consta que Zaida usou o dinheiro para comprar uma casa em Luanda e para adquirir veículos em Portugal.

 

Após a falência do BANC, a investigação também aponta para a retirada de bens do banco. Ainda segundo esses registos, Zaida terá levado para casa três viaturas Land Rover pertencentes à instituição, apesar de ordens judiciais que determinavam a não movimentação/retirada de património.

 

Apesar dos chamados feitos pelas autoridades para que prestasse esclarecimentos sobre a sua ligação à dívida e à gestão do BANC, Zaida permaneceu “desligada” do processo e, em 2020, deixou o país. Fontes indicam que já teria regressado a Angola, mas a Procuradoria-Geral da República não teria tomado qualquer medida visível desde então, o que alimenta a hipótese de arquivamento tácito ou de ausência de impulso processual.

 

Nos últimos meses, a situação ganhou novos contornos políticos. Zaida, que também integra estruturas do MPLA como comitê central, tem sido apontada por fontes internas como alguém que se apresenta com confiança de que, em 2027, poderá concorrer e ser eleita deputada, apesar de permanecerem por resolver questões relacionadas à dívida e às alegações de movimentação irregular de bens.

 

Especialistas e cidadãos observam que o caso evidencia, mais uma vez, a fragilidade da justiça angolana quando está diante de pessoas ligadas a famílias influentes, mesmo em contextos onde persistem indícios de irregularidades financeiras de grande monta.

Contactos

Rua 2, Avenida Brazil, Luanda

+244 923 445 566

pontodeinformacao@pontodeinformacao.com

Siga-nos

© Todos os direitos reservados.