Depois da morte misteriosa de Fernando Dias da Piedade dos Santos “Nandó”, que possivelmente seria candidato à cadeira máxima do MPLA e, consequentemente, às eleições de 2027, as quais provavelmente venceria como cabeça de lista do partido dos camaradas, os olhares viraram-se exclusivamente para Higino Carneiro, que já manifestou a sua intenção de concorrer. Contudo, nesta altura, as nossas fontes dizem que o mesmo está a ponderar se deve avançar, pois teme pela sua vida.
Especialistas entendem que Higino Carneiro, nesta altura, estará a dar voltas à cabeça, pois pensa que, depois de “Nandó”, o próximo poderá ser ele. Desta feita, pondera abandonar a ideia de concorrer à presidência do MPLA e consequentemente do País, acreditando, desta forma, que escapará à morte.
Para alguns especialistas, Higino Carneiro, se estiver a pensar assim, pode estar redondamente enganado, uma vez que, mesmo que saia ileso nas suas alucinações de ser o próximo alvo a abater, o mesmo já não se pode dizer quanto a escapar de uma cadeia, pois tem em curso vários processos contra si. Na verdade, esta é a mais pura realidade. Entretanto, para a sua salvação e a do País, aquele general apelidado de “General 4x4” só tem mesmo de seguir em frente ou, na pior das hipóteses, acobardar-se.
De “Nandó” a Higino: liderança, continuidade e o momento político em Angola
A política angolana atravessa um período de incerteza, em que decisões individuais têm impacto directo no equilíbrio colectivo. A morte de “Nandó”, num momento sensível do calendário político, contribuiu para intensificar esse clima e abriu debates internos sobre sucessão, liderança e estabilidade.
Nesse contexto, é inevitável que o nome de Higino Carneiro surja como parte central da discussão política nacional.
Independentemente de preferências partidárias, há um dado difícil de ignorar: Higino Carneiro é uma figura com um percurso longo no aparelho do Estado e do partido, com experiência acumulada em funções executivas e militares. Esse historial coloca-o, de forma objectiva, entre os quadros com capacidade real de influenciar o rumo do debate interno e das decisões futuras.
Ao mesmo tempo, o ambiente político actual evidencia que a exposição pública acarreta riscos concretos. Em Angola, a experiência recente demonstra que figuras identificadas como potenciais alternativas de liderança tendem a enfrentar pressão política, mediática e institucional, avancem ou não formalmente. Em muitos casos, essa pressão não se limita à esfera política: pode estender-se à vida pessoal, ao núcleo familiar e até ao património, através de processos, investigações ou constrangimentos prolongados.
Nesse quadro, a ideia de que a retirada do espaço público garante neutralidade, protecção ou segurança tem-se revelado, repetidamente, ilusória. O recuo nem sempre significa menor exposição; por vezes, significa maior vulnerabilidade, precisamente por retirar visibilidade e capacidade de defesa política.
As dinâmicas internas que marcaram o relacionamento político de “Nandó” com outros dirigentes baseavam-se em pragmatismo e cálculo estratégico, e não em gestos simbólicos. A sua ausência deixa um vazio que não se resolve com silêncio, mas com clarificação de posições e redefinição de caminhos.
Higino Carneiro, como outros actores do mesmo nível, enfrenta, assim, um dilema típico de momentos de transição: avançar e assumir os custos da visibilidade política ou hesitar e correr o risco não apenas de perder relevância, mas de permanecer exposto a pressões prolongadas, sem o respaldo de uma base política claramente assumida, e viver o resto da sua vida como um covarde. Importa dizer que nenhuma das opções é isenta de consequências.
Entretanto, a ver vamos qual das possibilidades o general Higino Carneiro seguirá.
Maria Japa, texto da inteira responsabilidade do autor
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