Destaques:

CARTA ABERTA À TUTELA DAS FORÇAS ARMADAS ANGOLANAS.

À consideração de:

Sua Excelência Presidente da República e Comandante-em-Chefe das FAA

 

Sua Excelência Ministro da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria

Sua Excelência Chefe do Estado-Maior General das FAA (na qualidade de Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Clube)

 

Assunto: Clamor de Socorro pela Salvação e Reposição Orçamental do Clube Desportivo 1º de Agosto

Excelências,

Nós, sócios, adeptos, simpatizantes e amigos do Clube Desportivo 1º de Agosto, vimos por meio desta expor a nossa profunda preocupação e indignação face à crise total e ao sufoco financeiro que a nossa agremiação enfrenta, perante a aparente passividade daqueles que têm o dever de a tutelar.

Não podemos aceitar como justificável o recente discurso proferido por Sua Excelência Chefe do Estado-Maior General das FAA, na qualidade de Presidente da Mesa da Assembleia Geral, ao sacudir a responsabilidade para a direção do clube, exigindo a criação de "políticas financeiras próprias" sob o pretexto da crise económica que o país atravessa.

O 1º de Agosto não é um clube meramente patrocinado; o 1º de Agosto é propriedade institucional das Forças Armadas Angolanas.

Diante disso, apresentamos factos e números claros que provam o tratamento desigual e injusto que está a destruir a nossa mística:

A Realidade dos Factos e a Desigualdade Financeira

A crise económica que afeta a nação não pode ser evocada para sacrificar de forma exclusiva e cirúrgica o orçamento do 1º de Agosto, enquanto outros organismos sustentados pelo erário público mantêm a sua robustez. O dinheiro que alimenta o desporto nacional provém da mesma economia angolana. No entanto, assistimos a um cenário de asfixia financeira deliberada contra os militares:

O Contraste Orçamental com o Rival: Enquanto o nosso rival direto, o Petro de Luanda, beneficia do apoio robusto da sua fundadora, a empresa pública Sonangol, movimentando orçamentos anuais e despesas salariais que superam os 5 mil milhões de kwanzas (vários milhões de dólares por época), o 1º de Agosto viu o seu suporte financeiro extraordinário ser severamente reduzido pelo Ministério das Finanças, sofrendo um corte drástico de 800 milhões de kwanzas para apenas 200 milhões de kwanzas mensais.

Inversão de Prioridades em Tempo de Paz: Não se justifica que, num país que vive em paz estável, haja cabimentação orçamental célere para a aquisição de material de guerra, enquanto se retira e estrangula o orçamento de uma instituição que possui a única grande Academia de formação do país (no Cassequel) e que sempre deu as maiores alegrias aos militares e ao povo.

Impacto Social e Desportivo: Essa redução orçamental sufocante forçou o clube a reduzir pessoal administrativo, a cortar valências e a arrastar atrasos salariais crónicos entre jogadores e trabalhadores. Assistir à decadência progressiva do clube mais populoso de Angola, ano após ano, diante do olhar silencioso das altas patentes e do Comandante-em-Chefe, é uma afronta à história militar.

Se a economia do país vai mal, o impacto deveria afetar de forma equitativa todos os clubes que sobrevivem de fundos públicos. Se o dinheiro da Sonangol serve para manter o Petro de Luanda no topo do desporto, o dinheiro do erário público via Forças Armadas não pode faltar para salvar o 1º de Agosto.

Desta forma, pedimos encarecidamente a Vossa Excelência, Senhor Presidente da República e Comandante-em-Chefe, que faça uso das suas legítimas competências e obrigações para:

Orientar a reposição da verdade financeira e rever o teto orçamental que foi retirado ao clube, garantindo a dignidade dos nossos atletas e funcionários.

Exigir uma auditoria rigorosa e uma reestruturação de gestão que impeça que a má administração ou a pilhagem de recursos destruam o clube.

Garantir a igualdade de condições no desporto nacional, assegurando que o património das Forças Armadas não seja asfixiado enquanto outras empresas do Estado continuam a financiar fortemente os seus clubes.

O 1º de Agosto nasceu com as Forças Armadas e pertence ao povo soberano de Angola. Não permitam que a nossa mística seja apagada por falta de vontade política e administrativa.

Com os nossos mais respeitosos cumprimentos,

Os Sócios, Adeptos e Amigos do Clube Desportivo 1º de Agosto.

Angola, 25 de Maio de 2026.

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