O conceituado jornalista e cronista Sousa Jamba foi infeliz ao afirmar: "A UNITA foi um partido rural e que, só com ACJ é que tornou-se num partido urbano". Tio dos meus amigos de infância, porisso também, meu tio. Os grandes nacionalistas, muito deles nascidos em zonas rurais, estudaram nos centros urbanos e posteriormente continuaram os estudos em areópagos ocidentais. As ideias de independência surgiram nos centros urbanos, a forma de luta também. Foi assim que Jonas Savimbi adotou o princípio da "Direcção no interior do país". Também não podia ser na urbe mas sim, na mata junto do povo camponês que serviu de base social de apoio. Foram os intelectuais que transformam os camponeses, para servirem para a luta contra o colonialismo portugues, com treinos militares, alfabetização e educação, saúde, etc. A zona rural serviu para organizar forças para a luta e o exercício do poder com a Independência e não como zona de conforto.
Em 1974, com a UNITA nas cidades, a adesão de jovens urbanos, estudantes dos grandes liceus, escolas comerciais, industriais e seminaristas era latente, a UNITA dominou o centro urbano em boa parte das cidades de Angola, incluindo Luanda, cuja maioria pereceu nos assassinatos do Pica-Pau, antes da independência. Mais uma vez foi essa juventude urbana, enquadrada na Direcção do partido, nas FALA, na JURA e na LIMA, que mobilizou camponeses, operários, autoridades tradicionais e eclesiásticas para a luta pela Democracia em Angola. Muitas famílias urbanas, incluindo a do jornalista, deixaram as suas casas, carros e outros bens para à resistência popular generalizada. Era uma luta que exigia conhecimentos, visão urbana e sentido de oportunidade, com preparação em grandes países africanos e ocidentais. Muitos tiveram a oportunidade de continuar com os estudos na Europa, incluindo o tio Sousa.
Em 1992 a UNITA instalou-se nos centros urbanos, onde desenvolveu as suas actividades, sem descurar das zonas rurais, periurbanas e suburbanas. Na análise sociológica, em África e Angola em particular, o periurbano e o Suburbano sentem mais vontade de mudança que o urbano, visto que a urbe é ocupada por pessoas ligadas ao sistema, com melhores empregos, privilégios e vida estável. Mesmo assim, a UNITA engalanou a urbe angolana com a mensagem de mudança obrigando o MPLA à várias ginásticas, incluindo a desligar a energia eléctrica no dia da contagem de votos. Em 2002 mesmo com a morte em combate do presidente fundador, estivemos na urbe, com intimidações à mistura. As actividades eram realizadas em grandes Hotéis, Cines, participação em eventos, mobilizando as pessoas, convidando conceituados académicos, conversando com a sociedade civil, promovendo marchas de apoio, marchas de repúdio, etc.
Lembro-me de um Bispo que foi peremptório em dizer: "A UNITA que eu conheço não é essa muito urbana, mas sim aquela que canta, agita, eleva e manifesta a cultura angolana e africana." Houve necessidade de reimplantar o partido em todo território nacional e não foi fácil nas zonas rurais, por causa da intolerância política. As grandes manifestações que mudaram o país foram feitas na urbe, de recordar a queda da Suzana Inglês, o confronto político foi feito na urbe, mas a UNITA sempre situou-se na dianteira para a defesa dos menos equipados, é um instrumento de luta para trazer o angolano da posição inferior, para igualdade na pátria do seu nascimento. Nesta equação entra o rural, periurbano, Suburbano e o urbano. Na urbe angolana há pequenas favelas por detrás dos prédios e nos terraços, há lúmpenes, há pequenos operários cujo salário não compensa. Esses todos entram na equação da UNITA e essa luta, cujos resultados estão à vista, não é de hoje, a luta política não se faz em 3,4 anos.
A crise económico-financeira com causas conhecidas, incluindo o roubo desenfreado dos cofres públicos, foram o pomo do descrédito do MPLA que, em cada pleito eleitoral vai perdendo votos. A crise no seio do MPLA, com a perseguição aos marimbondos, fez com que o mesmo ficasse fragmentado e os lesados encontrassem um novo parceiro, o novo presidente da UNITA ACJ. Os que desorganizavam as eleições, prejudicando a UNITA, apoiram ACJ exigindo um novo acrónimo, os fraudulentos abraçaram o novo projecto de ACJ. A luta foi entre os marimbondos, que se constituiram em forças de bloqueio, contra o MPLA, apoiando a sociedadecivil, Igrejas, a comunicaçãosocial, empresários, músicos e artistasem geral. Em 2022 já não houve roubos estrondos e os resultados em percentagem não fogem aos resultados de 2017. Em Luanda, em 2017 tivemos 2 Deputados e desta vez três, com a FPU. A UNITA não pode ser caracterizada como um partido rural, mas sim, um instrumento de luta em defesa dos menos equipados. A zona rural foi base social na luta armada fratricida.
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