A Organização das Nações Unidas nasceu com a promessa de ser um árbitro imparcial da ordem internacional, um espaço onde o poder do direito prevaleceria sobre o direito do poder. No entanto, ao longo das últimas décadas, essa promessa foi sendo progressivamente corroída.
Durante anos, a ONU funcionou, na prática, como uma estrutura fortemente condicionada pelos interesses do Ocidente, em particular dos Estados Unidos e dos seus aliados. Muitas das suas prioridades, resoluções e intervenções reflectiram mais a geopolítica da OTAN do que um verdadeiro equilíbrio entre as diferentes visões do mundo. Enquanto a torneira financeira e política de Washington estava aberta, essa dependência era naturalizada e raramente questionada.
Agora que esse apoio enfraquece, surge um discurso de urgência para que “o resto do mundo” financie e legitime uma organização que, aos olhos de muitos países, nunca foi verdadeiramente sua. Pede-se mais dinheiro, mais compromisso e mais confiança — mas sem uma transformação estrutural profunda.
Os três grandes testes recentes dessa credibilidade são claros. Por um lado, a rapidez e dureza das sanções contra a Rússia, aprovadas e impulsionadas pelo mesmo bloco que domina o sistema internacional. Por outro, a prolongada incapacidade de agir de forma decisiva e coerente face à situação na Palestina e Venezuela, onde as violações do direito internacional se acumulam sem consequências proporcionais.
Isto revela um problema de fundo: a ONU não falha apenas por falta de recursos, mas por falta de neutralidade real. Enquanto continuar a ser percebida — e muitas vezes a agir — como um instrumento de um lado do tabuleiro global, a sua autoridade moral permanecerá fragilizada.
Se quiser sobreviver e cumprir o seu propósito original, a ONU precisa de um verdadeiro renascimento institucional: mais equilíbrio no Conselho de Segurança, menos veto político instrumentalizado, maior representação do Sul Global e um compromisso claro com o direito internacional aplicado de forma igual para todos.
Só assim poderá deixar de ser vista como uma extensão do poder ocidental e passar a ser, de facto, aquilo que sempre disse querer ser: uma organização das nações — e não de alguns.
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